quarta-feira, 9 de julho de 2008

O TRATAMENTO ACÚSTICO

Hoje em dia vivenciamos um interesse crescente no tratamento acústico. Há cinco anos atrás, era raro ler um artigo em uma revista ou postar notícias sobre acústica, bass traps, difusores e assim por diante. Hoje essas discussões são comuns. E assim devem ser. A acústica de uma sala de gravação é, sem dúvida, o mais importante item que você deve levar em conta antes de iniciar qualquer projeto de gravação!
Nestes dias, os equipamentos são aceitavelmente flat nas faixas de áudio mais importantes. A distorção, além de microfones e alto-falantes, é baixa o suficiente sendo quase que inaudível. E o ruído - um grande problema com gravadores analógicos - ficou irrelevante na gravação digital. Na verdade, levando em conta a atual alta qualidade mesmo dos equipamentos semi-profissionais, a verdadeira questão nestes dias é, sua habilidade como um engenheiro de gravação e a qualidade das salas nas quais você vai gravar e mixar.

Não sou engenheiro acústico. No entanto, tenho muita experiência no tratamento acústico e, em especial, com bass traps. As recomendações aqui descritas são o resultado de minha própria experiência pessoal e não deve ser tomado como a palavra final.

Embora este artigo se destine principalmente a técnicos de áudio e donos de Home Studios, todas as informações se aplicam igualmente a pequenas igrejas, auditórios e salas de mixagem.

PARTE 1: TRATAMENTO ACÚSTICO

Existem quatro objetivos principais no tratamento acústico:

1) Evitar ondas acústicas permanentes e interferências de frequências que afetem a resposta dos estúdios de gravação e salas de mixagens;
2) Reduzir a microfonia em pequenas salas e diminuir o tempo de reverberação em estúdios maiores, igrejas e auditórios;
3) Absorver ou difundir o som da sala para evitar microfonias e reverberações, e melhorar a imagem estéreo;
4) Manter o vazamento de som para dentro ou para fora de uma sala. Ou seja, evitar que sua música perturbe os vizinhos e para que o barulho dos caminhões passando pela rua não entre em seu microfone.

O tratamento acústico, conforme descrito aqui é projetado para controlar a qualidade do som dentro de uma sala. Não se destina a impedir a propagação sonora entre salas. A transmissão do som e fugas são reduzidas através da construção – o uso de paredes grossas e maciças, e isolamento das estruturas do edifício - geralmente por paredes flutuantes e pavimentos, tetos flutuantes, etc. Questões sobre isolamento estão fora do escopo deste artigo.
O tratamento acústico correto pode transformar uma sala com sonoridade opaca “dummy”, com pouca definição de médios e graves, em uma sala que soe clara e viva “live and clean”, ou seja, um ambiente perfeito para se trabalhar. Sem um tratamento acústico eficaz, fica difícil ouvir o que você está fazendo, tornando o trabalho de mixagem muito mais difícil. Mesmo que você gaste milhares de dólares em alto-falantes e outros equipamentos, a frequência de resposta em uma sala sem tratamento é capaz de variar em até 30 dB.



Existem dois tipos básicos de tratamento acústico - absorvedores e difusores. Há também dois tipos de absorvedores. Um tipo para o controle de reflexões nas médias e alta freqüências; e outro, um bass trap, para baixas frequências. Todos os três tipos de tratamento são exigidos antes que se possa ter a sala própria para mixagens e para ouvintes realmente exigentes.

Muitos proprietários de estúdio instalam espuma acústica em toda a extensão da sala achando que isso é suficiente. Afinal, se você bater palmas em uma sala tratada com placas acústicas não vai ouvir qualquer reverber ou eco. Mas este tratamento não pode fazer muito para controlar o reverber da baixa freqüência e suas reflexões, e a batida de mão não vai revelar isso. Estúdios de porão e salas com paredes feitas de tijolos são particularmente propensos a este problema - quanto mais rígidas as paredes, mais reflexivas elas são nas baixa freqüências.
Você pode se perguntar o porque do tratamento acústico uma vez que poucas pessoas vão ouvir sua música em uma sala tratada acusticamente. A razão é simples: Todas as salas soam diferentes, tanto no seu valor de “liveness’ (som ao vivo) como sua resposta de frequência. Se você criar uma mix que soe bem em sua sala, é bem provável que soe muito diferente em outras. Por exemplo, se sua sala tem falta de graves “bass”, sua mixagem provavelmente irá conter graves em demasia pois você tentará compensar incorretamente com base naquilo que você está ouvindo. E se alguém tocar sua música em uma sala que tenha muitos graves profundos “ low bass” , o erro será exagerado e eles irão ouvir o baixo de uma forma muito mais acentuada. Portanto, a única solução viável é fazer um tratamento acústico para que sua sala seja tão precisa quanto possível.

No próximo artigo vamos falar sobre Difusores e Absorvedores, até lá!

terça-feira, 17 de junho de 2008

Como montar meu Home Studio


Se você é um estudante de música e mora em um apartamento, provavelmente pensou em transformar o seu quarto em um espaço para gravação, mas, sem grana pra investir você pode achar que a qualidade da sua gravação não vai ser tão boa assim.

Não tema! Nunca existiu uma época melhor para se montar um estúdio em casa; a tecnologia está evoluindo rapidamente, e a diferença entre equipamentos caros e baratos está ficando cada dia menor.


Passo um: o computador para gravação
A maioria dos estudantes traz um computador com eles, de fato, se você tiver um computador fabricado nos últimos dois anos, eu diria que ele é perfeito para gravação!

Os melhores computadores para gravação são os Apple Macs; especialmente o iMac e MacBooks. Sua estabilidade operacional combinado com softwares de gravação embutidos os torna perfeitos. Se você escolher um PC, certifique-se de que ele tenha pelo menos 1 GB de RAM - você também vai precisar de um disco rígido com boa capacidade de armazenamento e velocidade, e certifique-se de desfragmentá-lo frequentemente!

Portas USB e Firewire são necessárias para conectar suas interfaces.

Passo 2: Escolha um microfone
No mínimo, você precisará escolher um único microfone para fazer praticamente tudo. Se você tem um orçamento um pouco maior, poderá escolher entre dois ou três. A escolha é sua, você sabe das suas necessidades, bem como o seu orçamento.


Se você planeja gravar violão acústico e voz, um microfone condensador dará conta do serviço. Você sabe o quanto pode gastar, mas lembre-se desta regra simples: quanto melhor a fonte, melhor a gravação.

Passo 3: O software para gravação
Não há dúvidas sobre isso: O Pro Tools é o padrão utilizado em todos os grandes estúdios de gravação (e na maioria dos pequenos estúdios caseiros).

Com opções baratas, como a MBox 2 e MBox 2 Mini, nunca tivemos um momento melhor para começar com o Pro Tools. Elas contêm tudo o que você precisa para começar em uma única caixa, com excepção dos falantes (monitores) e microfones.

Se o Pro Tools não se encaixa em suas necessidades, existem muitas outras opções.

A M-Audio é outra excelente opção. A única dica é procurar algo com capacidade para gravar em multi canais.

Passo 4: A Interface de gravação
Escolher qual interface de gravação devemos usar é difícil, especialmente hoje em dia que temos muitas opções no mercado.
Se você planeja usar o Pro Tools, você precisará de uma interface da Digidesign aprovada especificamente para o Pro Tools, ou uma da M-Audio.

Se você pensa em usar o Garageband, você está com sorte - seu Mac não precisa de mais nada que não seja um Microphone USB (confira a linha da Samson's USB), bem como alguns falantes e fones de ouvido!

Passo 5: Monitoração
A fim de fazer grandes gravações, você precisará de monitores de qualidade. Numa situação apertada como um quarto ou apartamento pequeno, fones de ouvido de alta qualidade são uma boa idéia.

Cabe a você escolher, mas quanto melhor a qualidade, melhor a mixagem e a gravação!

Fones AKG, KOSS e Senheiser são os padrões em estúdios.

E por fim: Não se esqueça dos acessórios
Agora que você está pronto para gravar, não se esqueça dos acessórios! Você terá um computador, interface, microfone e monitores, mas e agora?

Certifique-se de ter pelo menos um pedestal para microfone, assim como um filtro anti-pop se planeja gravar vocais. Você também deve se certificar que tenha um cabeamento de alta qualidade entre seus componentes, e um ar condicionado não é uma má idéia. Agora, o céu é o limite!

Há centenas de brinquedos de gravação por aí.

Um abraço e boas gravações.

Rafael Contatori

Home Studio Sound Designer

http://meuhomestudio.blogspot.com

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Como mixar sua música


Obtendo uma boa mixagem

Se você é novato em matéria de gravação, provavelmente deve imaginar como é difícil obter uma boa mixagem em sua música. Há uma razão porque engenheiros de mixagem custam na casa de milhares de dólares por música – a mixagem definitivamente é uma arte! Vamos dar uma olhada no básico do uma boa mixagem, e como você pode atingir seu objetivo.

“In” ou “Out Of The Box”?

Um termo comum que você vai ouvir ao falar de mixagem é "In the box" (dentro da caixa) ou "Out the box" (fora da caixa). Isto é muito simples - "in the box" refere-se a mixagem sendo feita totalmente dentro de um computador, usando um programa como o “Logic” ou “Pro Tools”. "Out the box" significa que você está usando uma mesa de mixagem e equipamentos externos para fazer a sua mix - o método preferido dos engenheiros de som. Para os nossos propósitos porém, iremos assumir que você está mixando "In the box" com seu pacote favorito de software.

A maioria dos conceitos são exatamente os mesmos, seja qual for o método de sua escolha.

Elementos de uma Mix Stereo

Na maioria das vezes você estará mixando seu produto final em dois canais (stereo), então confira algumas coisas que você deve tomar cuidado;
- A mixagem em stereo representa exatamente suas duas orelhas. Quando você ouve uma gravação mono (comum em muitas gravações ou vivo) você vai notar que existe muito pouca profundidade; ela soa muito unidimensional. É aí que a função “panning” entra em ação para trazer profundidade, foco e clareza para sua música.

Mixando a Bateria

A bateria é o primeiro elemento a se mixar em stereo. Seja sua mixagem a partir da perspectiva do baterista ou a partir da perspectiva da audiência, isso é meramente uma questão de gosto pessoal. Eu prefiro a mixagem da perspectiva do ouvinte – com a caixa, o bumbo e o tom com “pan” no centro, os outros tons “panned” à esquerda e à direita, os overheads “panned” para à direita e à esquerda, e o chimbau no centro, com uma ligeira abertura para a direita.
Volto a dizer, esse é o método tradicional mas, você pode experimentar outras alternativas.
Uma coisa importante: Como estamos lidando com vários microfones, os problemas de fase
podem ocorrer mas isso é um assunto para outro tópico.

Fique Centrado

Várias coisas têm que ficar no centro da sua mixagem. O baixo, por exemplo, é a base (o chão) da música, e precisa ficar centrado para enviar seu som em ambos os canais de forma idêntica. Metais, normalmente, são captados em stereo e “panned” esquerda/direita. No caso de um solo, tipo “sax”, ele deve ficar no centro. Os backing vocals devem ser gravados em stereo e “panned” esquerda/direita.
Uma coisa importante a ressaltar é que esses conceitos são amplamente usados mas não são uma regra fixa. Cada música é uma música, e você deve experimentar para chegar ao som desejado.

Mixando Guitarras

Para dar uma certa profundidade nas gutarras você deve dobrá-las e fazer o “panning” esquerda/direita.

Compatibilidade

Se sua música for tocar em um rádio AM, certifique-se que ela não tenha problemas de fase quando for passada para mono. A maioria das interfaces tem um botão "mono" para permitir a verificação. Se alguma coisa desaparecer, mova o contúdo em torno do campo estéreo (com a função mono ativada) até que o som reapareça. Simples assim!

É isso aí,

Um abraço

PS: Você pode ler esse e outros artigos em http://www.revistamusica.net

Rafael Contatori

Home Studio Sound Design Specialist